MÍDIA

Oncologia personalizada e biópsia líquida

Marcos André, oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é o convidado de Ponto & Contraponto em Oncogenética e Oncologia de Precisão, comandado por André Marcio Murad e José Claudio Casali. Em pauta, a biópsia líquida, considerando indicações, vantagens e desvantagens. “Por muito tempo trabalhamos com o bloco de parafina e agora estamos diante da biopsia líquida, que com 10 ml de sangue permite uma série de aplicações, a começar do diagnóstico”, compara Marcos. Assista.utações, são tipicamente realizadas em tecido adquirido por meio de biopsia no momento do diagnóstico. No entanto, os tumores são altamente heterogêneos, e a amostragem, em sua totalidade, é um desafio. Além disso, os tumores evoluem com o tempo e podem alterar seu genótipo molecular, tornando as decisões clínicas baseadas em dados históricos de biopsia subótimas.

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Variantes germinativas patogênicas no câncer de pulmão

Murad 2018 NET OK

Cerca de 8,5% dos pacientes com câncer de pulmão carregam uma variante germinativa clinicamente acionável em um gene de predisposição ao câncer. Os dados são de um estudo realizado pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center apresentado preliminarmente na ASCO 2018 e atualizado no Congresso Anual do

ASHG - American Society of Human Genetics

. O oncologista André Murad (foto), coordenador do GBOP- Grupo Brasileiro de Oncologia de Precisão, e Diretor Clínico da Personal - Oncologia de Precisão e Personalizada, comenta o trabalho.

Por André Murad

A maioria dos casos de câncer de pulmão está relacionada a fatores ambientais, em particular ao tabagismo, mas estima-se que cerca em até 18% dos casos, a doença esteja relacionada à predisposição hereditária (herdabilidade).

É mais provável que o câncer de pulmão esteja relacionado a uma predisposição genética em mulheres, em não fumantes e em câncer de pulmão em adultos jovens. Ter um membro da família de primeiro grau (pai, irmão ou filho) com câncer de pulmão praticamente dobra o risco de se desenvolver câncer de pulmão. Este risco é maior para mulheres do que para homens, e mais forte para não fumantes do que para fumantes. Ter um parente de segundo grau (uma tia, tio, sobrinha ou sobrinho) com câncer de pulmão aumenta o risco em cerca de 30%. Embora a fração exata dos cânceres de pulmão hereditários seja desconhecida, um estudo realizado pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center e apresentado na reunião anual da American Society of Human Genetics demonstrou que cerca de 8,5% dos pacientes com câncer de pulmão carregam uma variante germinativa clinicamente acionável em um gene de predisposição ao câncer.  Para se determinar a prevalência de variantes germinativas patogênicas em genes de suscetibilidade ao câncer, os pesquisadores analisaram dados do MSK-IMPACT, tecnologia de sequenciamento por NGS que avalia 468 genes de amostras de tumor e de DNA de células normais correspondentes, entre 2014 e 2016. Os pesquisadores analisaram uma coorte não selecionada de cerca de 2.700 pacientes e uma coorte enriquecida de 73 pacientes que tiveram câncer de início precoce, tumores primários múltiplos ou uma história familiar de câncer. Dos pacientes com câncer de pulmão não selecionados, 228 (8,5%) apresentaram variantes germinativas patogênicas ou provavelmente patogênicas em um dos 27 genes de predisposição ao câncer. Esse número foi aproximadamente o mesmo em diferentes subtipos de câncer de pulmão, incluindo carcinoma de células escamosas, adenocarcinoma de pulmão e câncer de pulmão de células pequenas. Na coorte enriquecida, uma fração maior - 17 pacientes (23%) carregava uma variante germinativa patogênica ou provavelmente patogênica em um dos 10 genes de suscetibilidade ao câncer. Cerca de 3,5% dos pacientes da coorte não selecionada tinham uma variante germinativa patogênica ou provavelmente patogênica em um dos 15 genes de predisposição para câncer de penetrância alta ou moderada, incluindo CHEK2, BRCA2, BRCA1, FH, ATM e TP53. Outros 4% tiveram tais variantes em um dos 13 genes que possuem penetrância baixa, incerta ou herança recessiva.

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Biopsia líquida na prática oncológica: aspectos atuais e perspectivas futuras

Por Dr. André Márcio Murad – A biopsia líquida é uma técnica minimamente invasiva para a detecção de biomarcadores moleculares sem a necessidade de procedimentos mais invasivos como biopsias e cirurgias. Permite aos médicos descobrir uma série de informações sobre determinada doença ou tumor pela extração de uma simples amostra de sangue. Células tumorais circulantes ou traços do RNA ou DNA do câncer no sangue podem fornecer informações valiosas sobre quais tratamentos são mais prováveis e efetivos para o paciente. A partir da biopsia líquida, novos métodos dedicados permitem enriquecer e purificar:
DNA livre circulante (cfDNA) Células tumorais circulantes (CTC) Micro-RNA (miRNA) circulante

Microvesículas extracelulares (inclusive exossomos) contendo miRNA e DNA. O recente interesse por ácidos nucleicos no plasma e no soro abriu novas áreas de investigação e possibilidades para o diagnóstico molecular. Em oncologia, alterações genéticas derivadas de tumor, alterações epigenéticas e ácidos nucleicos virais são encontrados no plasma/soro de pacientes com câncer. Esses achados têm importantes implicações para a detecção, o monitoramento e o prognóstico de muitos tipos de cânceres.

Biopsia líquida para rastreamento de câncer, estratificação e monitoramento de pacientes A caracterização molecular do tumor de um paciente para orientar as decisões de tratamento é cada vez mais aplicada em cuidados clínicos e pode ter um impacto significativo no resultado da doença. Essas análises moleculares, incluindo a caracterização de mutações, são tipicamente realizadas em tecido adquirido por meio de biopsia no momento do diagnóstico. No entanto, os tumores são altamente heterogêneos, e a amostragem, em sua totalidade, é um desafio. Além disso, os tumores evoluem com o tempo e podem alterar seu genótipo molecular, tornando as decisões clínicas baseadas em dados históricos de biopsia subótimas.

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10º Congresso Mundial de Medicina de Precisão e Personalizada

No encontro, o oncologista apresenta a experiência adquirida como pesquisador nas áreas de Oncologia de Precisão, Oncogenômica e Oncogenética e como diretor científico do Laboratório PERSONAL de Genética de Precisão, de Belo Horizonte. “Temos desenhado e validado painéis multigênicos germinativos e somáticos de baixo custo e alto rendimento em tecnologia NGS (Sequenciamento de Nova Geração), como o Painel de Triagem Germinativa (27 genes) e o Oncoalvo Tumoral (57 genes), desenvolvidos por nosso grupo”, esclarece. “Diante do altíssimo custo de painéis extensos e do sequenciamento de todo o exoma, tanto germinativo quanto tumoral, especialmente no contexto de países em desenvolvimento e com restrições econômicas e de financiamento da saúde como no Brasil, se faz necessário o desenvolvimento de painéis genômicos mais restritos e custo-efetivos”, diz.

A participação brasileira no 10º Congresso Mundial de Medicina de Precisão e Personalizada também inclui a experiência com o desenho, validação e utilização de painéis multigênicos com tecnologia dd-PCR (reação de polimerase em cadeia digital em gotas) para Biópsia Líquida. “A Oncologia de Precisão é sem dúvida uma mudança de paradigma que traz avanços na prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer”, conclui Murad.

Mutações Germinativas e cancêr hereditário

No programa de estreia de Ponto & Contraponto em Oncogenética, os oncologistas José Claudio Casali e André Marcio Murad recebem Bernardo Garicochea, oncologista clínico e diretor da Unidade de Oncogenética do Centro Paulista de Oncologia. Em pauta, as mutações germinativas, com lições de quando suspeitar de uma síndrome hereditária. Afinal, quando pedir o teste e qual o mais indicado? Como os achados podem impactar a clínica? Assista.

Referência

OUTUBRO ROSA – CAMPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE O CÂNCER DE MAMA

Pastora Carol Malta conversa com o oncologista André Murad sobre o câncer de mama, esclarecendo muitas dúvidas e a importância de se fazer exames preventivos.

Referência

Andre M Murad
Precision and Personal Oncology Hospital, Belo Horizonte, MG. Brazil

Biography
Adjunct Professor and Coordinator of the Oncology Discipline of the Faculty of Medicine and Hospital das Clínicas, UFMG. Clinical Director of Personnel. Precision and Custom Oncology. Specialist in Oncology and Hematology, Fox Chase Cancer Center (USA). Master in Gynecology. PhD in Gastroenterology. Post-Doctorate in Genetics. Coordinator of the GBOP: Brazilian Group of Precision Oncology.
Referência

Abstract
The two most important scientific developments of the past decade regarding therapies for patients with non-small cell lung cancer (NSCLC) are the ability to exploit particular genetic mutations with targeted therapies and the discovery of drugs that can help the patient's own immune system attack the cancer. Despite these advances, many patients do not yet benefit from either approach. To maximize patient benefit, clinicians and pathologists will need to rationally apply the growing scientific knowledge to best characterize a patient's tumor and possible driver mutations. A growing understanding of host-tumor immune interactions will hopefully help expand our therapeutic options. The still elusive identification of immunotherapy biomarkers will hopefully help identify patients most likely to derive a therapeutic response to immune checkpoint inhibitors, and promises to be an important field of study for years to come. More recent studies have shown that patients with high mutational burden NSCLC treated with anti-PD-1 presented a lower likelihood of progressive disease. Further analyses have suggested that taking into account mutational process and intratumoral heterogeneity could improve the prediction. Recent studies have described the incidence of MSI across a broad cancer spectrum using computational software programs and NGS data. Some trials have documented that solid tumors such as gastroesophageal and breast cancer with mismatch repair deficiency (dMMR) treated with immunotherapy resulted in remarkable responses. These articles are highly relevant because the US Food and Drug Administration (FDA) approved pembrolizumab in May 2017 for the treatment of all unresectable or metastatic cancer with MSI/dMMR irrespective of tissue origin. It was the first time that any therapy had been approved for cancers that share a specific genetic feature irrespective of site of origin. Furthermore, in late July, nivolumab was approved for MSI/dMMR metastatic colorectal cancer. The FDA approvals are based on studies showing disease control rates of 70% to 90% in patients with colorectal cancer and noncolorectal MSI/dMMR cancers, most of whom with disease that was refractory to standard chemotherapy upon entering these trials.
Referência

O que é a oncologia de precisão e como vem revolucionando o tratamento do câncer

Muito em breve, as técnicas e práticas da "oncologia de precisão" substituirão os protocolos tradicionais de tratamento do câncer. Esse processo já está em curso e avança com velocidade muito maior do que você talvez imagine.

Enquanto percorremos esse caminho, é natural que muita gente se pergunte "o que é exatamente a oncologia de precisão ou personalizada" e por que tem sido apontada com um dos maiores avanços da medicina na última década? Em linhas gerais, aqui vai uma explicação.

O câncer, como já dissemos algumas vezes por aqui, é uma doença dos genes. Essa é, sem dúvida, a premissa que guia todo o desenvolvimento da oncologia de precisão, cuja principal aposta está no sequenciamento do DNA.
O grande diferencial desta abordagem portanto, está em seus revolucionários testes genéticos, que oferecem ao médico - sobretudo, ao paciente -, uma série de vantagens na prevenção, no combate e no monitoramento dos mais diversos tipos de tumor.
Comecemos pela #prevenção. Por meio da extensa gama de exames genômicos s e moleculares oferecidos pela Clínica Personal, é possível sequenciar do genoma do paciente a fragmentos do DNA de células cancerígenas. Na prática, o que isso significa? Que o especialista terá a seu alcance uma série de possibilidades hoje distantes das práticas da clínica tradicional, como:
identificação precoce do câncer, antes mesmo que ele se torne visível aos exames de imagem; detecção de síndromes hereditárias que predispõem à doença e consequente adoção de medidas preventivas em benefício do paciente e de seus familiares; substituição de exames invasivos, como a biópsia tradicional, pela biópsia líquida, que permite analisar células tumorais a partir de uma simples amostra de sangue ou saliva.
A qualidade de vida do paciente em #tratamento também é maior. O sequenciamento genômico, afinal, possibilita a elaboração de terapias-alvo - bem mais certeiras no combate aos tumores, e menos tóxicas à pessoa tratada.
O médico, por fim, tem a seu alcance ferramentas que lhe proporcionam construir uma espécie de dossiê do câncer, em que é possível monitorá-lo com incrível assertividade.

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